Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra.
Foi então que aconteceu, a galinha pôs um ovo. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotando e desabotando os olhos. Só a menina que estava perto e assistiu tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
- Mamãe, mamãe, não mate a galinha, ela pôs um ovo.
Todos correram de novo á cozinha e rodearam mudos. O pai, a mãe e a filha olhavam já algum tempo. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão
- Se você mandar matar esta galinha, nunca mais comerei galinha em minha vida!
- Eu também!- Jurou a menina com ardor.
A mãe, cansada, deu de ombros.
A galinha passou a morar com a família, tornou-se a rainha da casa. Todos, menos ela, sabiam disso.
Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

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